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segunda-feira, 25 de abril de 2016

PARABOLE
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Poderosa barganha. Morde, amordaça, acarinha...
O elixir da vida, tutano do ódio, amazona da língua.
A guardiã dos segredos dá força e mistérios ás orações.
Estrela radiosa. O sol dos vivos, o sal dos mares.
O caos dos mortos, iodo dos leprosos, o cal da vida.
Apaixona, aproxima, lambe, lambuza e escarra na cara.
Encara, mente, trai, domina exércitos, ordena carnificinas.
Rosa carmim, jogada no escuro é lâmina e crava.
Ama, desencanta, emprenha os incautos, nina e faz dormir.
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E com vocês: Sua Excelência A P A L A V R A.
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B. Calaça
Hóstia sagrada dos Andinos
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Parece-me que foi ontem que fui a La Paz
com meu amigo Hernán Hunanca, mascar folhas
de coca.
Minha primeira mascada sagrada na fonte
embrenhados na comarca de Yungas e o Tititaca
entre coloridas cholas e camponeses cocaleiros.
Parece-me que foi ontem quando a grande esfera
de prata descia do véu branco das montanhas
em oferenda a Pachamama. Meu espírito vagou pelas
Plantações das aldeias em rituais a deusa e mãe
das terras andinas.
Parece-me que foi ontem nas margens do gigante colossal
Pedra do Puma, que senti a brisa do sangue Inca e o cheiro
da carne cortada na lâmina da espada Espanhola.
E meu espírito ainda jovem de revolução consternado chorou. 
Masquei coca contemplando o gigante silencioso
Lago Tititaca.
Bento Calaça
de la Mancha & Dulcineia
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- cada vez mais bela
como a face da lua nova
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- eu cavaleiro já enferrujado.
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- mas, nem Thor com seu martelo
ou Moisés com seu poderoso cajado
nem assim, d'escravo de sua janela.
B. Calaça               
Joana Guerreira
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De baixo de teus caracóis negros
O verniz nos olhos castanhos em mel 
Refletem no sorriso simétrico de pinha 
Brilhando por todo o rosto de porcelana
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Tua voz é tango para meus ouvidos
Brasa para meus gravetos frio de inverno
Teus lábios em favos translúcidos e doce
É um eterno beijo cigano com garras felina
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Uma legião de demônios tu vencerias
Santa guerreira com o aroma das flores
São mágicos os dias que passo ao teu lado
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Eu soldado de chumbo ainda aprendo
Contigo ser leve barquinho de papel
A singrar os mares e outras savanas.


Bento Calaça
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sexta-feira, 23 de maio de 2014

Fungos da Imortalidade



Antes de encontrar a solidão 
o antigo e elegante Lao-Tsé
entregava-se ás delicias sensuais 
no interior dos flutuantes bordéis.
Pulverizado o sorriso cínico do velho
permanecia  na  flor do pessegueiro 
quando na fenda sedosa do pêssego 
enfiado passava belas noites de orgia.

Assim  com os fungos da imortalidade
dormiam as verdes montanhas da China.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Cachimbando Nuvens



Liberto das âncoras 
suspira inflada a esquadra 
não querem o grã merecimento do repouso...
Docemente singram os mares.
Sangue e nervos tem aqueles navios 
quando partem cachimbando  nuvens