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quarta-feira, 9 de junho de 2010

terça-feira, 8 de junho de 2010

O Último Enredo De Chico Chapéu



Cerrou
os olhos ontem depois de uma roda de samba , o poeta
chiquinho, conhecido pela alcunha de chico chapéu.
o bamba do samba da vela era cobra criada porreta,
jovem ainda vistoso, maciço de poesia, um bom menestrel.
Chico
tinha aquele andar de onça mansa suçuarana,
um gingado dançante de asas moles, mas um porte bacana.
ainda ontem o tinha visto num barzinho, na esquina do molejo
disse olá para ele e toma-mos uma branquinha com torresmo.
No
morro da malagueta, hoje a dor é mais ardida e voraz
no meio da multidão, por entre acenos e lenços brancos,
escorregava o féretro do poeta Francisco da Silva Ferraz.
Foi-se
o Chico com seu chapéu e sua sombra incandescente,
iluminado. O nosso faquir africano sambou, brincou e foi brinquedo.
ao repique da bateria, o morro cantou seu último samba enredo

Cris'ança



sapeca era
a cara da traqui
nagem com tranças
ao vento
que
brando louças

rasgando cortinas
arrepi
ando
a lã
do gato

embo
lando
o cão no chão

narcisos corações de espelhos




...
projetam labirintos
de planos
em narcisos corações
de espelhos
enxergam-se um
nos olhos do outro

em vão vazios
destilam suas mágoas
ensopadas de egos
tecem suas teias
nas intrigas dos bares
a vida segue torta...