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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Diário de um Náufrago


O mar visto da pedra onde estou
transborda pelas manhãs
de peixes e pássaros

não eram minhas as mensagens
que recebia em garrafas na praia
mas com o tempo foram sendo...
fiz verdades em garrafas de outros.

Eu, que nunca tive um Deus,
com quase meio século
descubro ser o meu Deus
o mar.
Temperamental e traiçoeiro

às vezes manso como um cordeiro
dissolve-se em sal no azul do céu
enquanto gaivotas, voam penas
feito folhas.


Ateei fogo ao passado
para dormir em travesseiros de cinzas
e da ilha dos sonhos
nunca mais voltar

Engolido pelo pôr do sol



Um comentário:

  1. Esse poema é pura poesia!
    Calaça vc é fera mesmo irmão!!

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