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sexta-feira, 1 de julho de 2016

Festa Junina
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Na praça a banda de pífano tocando
"A ema gemeu no canto do juremá"
O perfume primaveril da alfazema
Pamonha cocada canjica mugunzá!
O cheiro doce da chuva no canavial
Espada de fogo busca-pé infernal.
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O vento soprando nossas lembranças
Brisa na fumaça bandeirolas de papel
Chegou a sanfona segura o tropel 
"Briga de cachorro com onça"
"São João dos carneirinhos"
E tome cachaça quentão e quentinho.
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Somos meninos a brincar novamente
O céu é feliz com o ócio existente
Corrida de saco com ovo duro na colher
Tem beijo na maçã de uma linda mulher
Pau de sebo pau de escorregador 
Lá no alto tem prenda para o ganhador.
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O fole tocando um baião competente 
A moça passando com o primeiro beijo
Fogueira queimando ardendo o desejo.
O tempo é sábio e senhor dos trilhos
Brinca de quebra cabeça com a gente
E a vida adocica como broa de milho.

Reveillon
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Comia os restos
de um ano velho
enquanto pipocava
 o  novo
a esperança nascia
entalada na garganta.
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Os Céus de Itumirim
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quando abranda o sol
e cai o manto da tarde
nos ombros de Itumirim
um silencio sacrossanto 
materializa-se em cores 





Sincronia 
<..
chega a hora da ação
os ouvidos bem atentos 
não tem mais afobação 
balança o corpo nas águas
nuvens de peixes aos ventos
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o orégano é meu perfume
tomo uns goles na garrafa 
xeque mate! dou a lançada
escuto o baque do cardume 
na queda da tarrafada
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terão as terras do além mar 
sempre lembranças minhas 
quando ouvi as barbatanas 
batendo palma no ar
das danadas das tainhas!

terça-feira, 26 de abril de 2016

Fungos da imortalidade
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Antes de encontrar a solidão 
o antigo e elegante Lao-Tsé
entregava-se às delicias sensuais
no interior dos flutuantes bordéis.
Pulverizado o sorriso cínico do velho
permanecia na flor do pessegueiro
quando na fenda sedosa do pêssego
enfiado passava belas noites de orgia.
Assim com os fungos da imortalidade

dormiam as verdes montanhas da China.

A Poesia É Necessária

...
A feitura de um poema
Numa noite de arribação
Isso é coisa de poeta
Né pra todo mundo não
Queimar no inferno do verbo
Com o Anjo caído Tição
Isso é coisa de poeta
Né pra todo mundo não
Tratar as vísceras dos versos
No gume de amolação
Isso é coisa de poeta
Né pra todo mundo não
Que as trombetas da poesia
Seja do povo a salvação
Isso é coisa de poeta
Né pra todo mundo não
Mas se a poesia é necessária
Mais que farinha bolacha e pão
Isso é coisa só de poeta ?
Né pra todo mundo não?


Calaça



Do Massapê


...
Foi na levada minha primeira morada
Fumando liamba dançando macumba
Coco de roda, Chegança, Embolada 
Sou Guerreiro treme terra cabra da peste
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Filho da lama do barro das águas do Mundaú
Primo e irmão do maracatu agreste
Sou das entranhas das carnes do sururu.
Na goma da mandioca encontro a força dos Caetés
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E de minhas palavras vem as lavras dos cordéis
Sou do Nordeste Alagoano das terras dos menestréis
Da poesia de Jorge de Lima o acendedor de Lampião
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Sou fã do forró- pé-de-serra de Vavá dos oito baixos
Da fuleiragem brincante do Mestre Tororó do rojão
Sou casca caldo e nó das canas de açúcar desse torrão.
.
Calaça.