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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

No Verniz do Lodo



              

       Na neblina intensa de agosto
     longe de sua senda
 espreitando a Primavera
    como um navio mudo 
uma flor ancorada no verniz do lodo 
       balança com seu perfume.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Transformação






  o grão curtindo na fenda
moldando o estranho na ostra
o mar salgando a dor pungente
 há  tempo o tumor esquecido
  cristaliza a gema em pérola


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O REALEJO DE PÃ

Quando o realejo de pã
do amolador de tesouras 
tocava uma vez por ano
na ponte do povoado
o alumínio dos peixes no rio
brilhava como o sol

tirando faíscas dos lumes 
o som da pedra zinia no esmeril

despertava uma nuvem de cigarras a ziziar

e a primavera como um véu leve trazia a esperança
era a luz que faltava para as tesouras cegas da aldeia

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Mesmice

No mar de vidro
nadam peixes
atrofiados e solitários

para o nada.





Bento Calaça

Ilustração de Paulo Caldas

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Pescaria

Desde cedo aprendi
Nas terras do além mar
Ouvi as barbatanas, das
danadas das tainhas
Batendo palmas no ar.

Chegada a hora da ação
Os ouvidos bem atentos
Não tem mais afobação.
Balanço o corpo nas ondas
Nuvens de peixes ao vento.


No perfume do orégano
Tomo uns coles na garrafa
Xeque mate, dou a lançada!
Escuto o baque do cardume
Na queda brusca da tarrafada...

Calaça

terça-feira, 9 de julho de 2013

O Silêncio Dos Livros

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A pureza do silêncio
move palavras espectrais
ouve-se o vento e o mar
nas páginas de um livro.

O silêncio cristaliza pérolas
faz crescer ostras , lima pedras,
dá asas a peixes e cobras.

O silêncio devora florestas de livros.

Calaça