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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Segunda - feira Surreal




Acho que o nada que sou me agrada
tanto que eu nem limpo a graxa
me levanto sorrindo dos meus tombos

se um sonho não dá certo
logo pinto um pesadelo de azul
sigo humanamente em suaves prestações

sempre que ando pelo meio fio, manco
de uma das pernas dependendo da direção.
Será que é tempo de me aposentar
ou entrar de beneficio pelo INSS?

Mas que nada menino!!
eu tenho é esperanças no presente. Menos
na Segunda- Feira... 
esse dia foi feito
para lamber as feridas, remoer os erros
praticar acupuntura no cérebro ressecado
escoar a cerveja barata na horta de hortelã.

Na Segunda doí todos os meus pensamentos
desse dia só quero o sol descortinado!

domingo, 17 de outubro de 2010

Lembranças Fatiadas


Não se via um astro
no mínimo
estrela de nêutrons
quase um caga-lume
vagabundo.


Infeitiçado pelas bruxas
que voavam
em vassouras de alumínio
com cachinhos caracóis
descia a ladeira dos prazeres
em cima de um carrinho
ralando os dedos nas curvas
para controlar as rodas de rolimãs. 


Era bicho solto safo maloqueiro do Recife
levado por uma inocência branca
ladeira a baixo.


algumas tardes
enquanto os helicópteros
resfriavam o sol
ocupadíssimo com o vento
ele empinava sua pipa de jacaré.
com o fermento da esperança

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

para uma moça que queria se reinventar

disponível Calaça:



para se mudar o passo
muda-se primeiro a sombra
em uma parede virgem de lagartixa

espera-se a primeira lua
nova bater na parede
aí dá-se o primeiro passo
(sempre com o pé esquerdo)
ao contrário da sombra

é na parede que o passo se alinha
à nova cadência da alma.

o nome vai se ajustando
num parafuso de rosca francesa
para aproveitar o perfume de uma estrela

passo e nome mudados,
dê um tempo com eles
num quarador com anil


é só para não ficar resquício de um ex amor
mal lavado.

A Saga de Zé Tembrino e o Orégano Cor de Rosa

disponível Calaça:


. . .





Zé Tembrino
o mensageiro da morte
o estupor coisa ruim satanás

caboclo do sertão
criado no leite de cabra
matava feito a peste cabeluda

inventou de fumar
orégano cânhamo prensado
para dançar a dança da chuva

ai meu amigo
o hômi ficou doidão
no juízo acendeu várias centelhas

viu borboletas
fingindo serem flores
num beiral de uma calçada

cuspiu rosas vermelhas
com espinhos
na cara de Barrabás

viu o sol na curvatura
voando
no espinhaço de uma vaca

correu vaguejada
laçou boi
no lombo de um cavalo marinho

em putaria com medusas
nas margens do velho chico
foi visto nuzinho

colou estrelas
de plástico
na asa de seu pinico


Calaça

estrelas que capturou
das vezes que foi ao espaço
em cima de um trator

depois daquele dia
nunca mais o hômi
prestou

dizem que deixou
até de ser matador
hoje não mata nem galinha...

foi só fumar
o orégano cor de rosa
que o capiroto amansou

credo, cruz, ave maria!

Oferenda

Oferenda

Ele
na partida
carrega nos olhos a morada
não pôde ser árvore
foi ser navio

A casa
que já coagulava
amarga a dor da solidão
no brio.

Netuno
deus das tempestades
bradou nas ondas do mar:

- vem escravo de baco!
Oceano,
o pai de todos os seres
te espera


Oceano
de lança em punho,
filho do Urano
agradece aos outros deuses
o sacrifício posto
sobre o fogo de seu altar

Ele
num dia sem orvalho
do pó
mistura-se ao sal do mar.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Pássaros


asas imóveis
voam enfeitiçadas

contra a lua movediça

levam em silêncio

o vazio negro da cobiça