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domingo, 18 de julho de 2010

O Anjo da Serra-Életrica


Aproveitando-se de minha imobilidade
ele chega esgueirando-se no meu sonho
sinto seu hálito velho em minha face
o fedor de sua ossatura fria e caquética.

A morte aproxima-se nem foice nem cutelo
esse anjo é moderno possui serra-elétrica
a serra geme lambendo e roçando o pescoço,
o gemido da serra urra em meus ouvidos

suas asas metálicas rufam uma sinfonia fúnebre...

Meu anjo da morte tem pressa de serra-elétrica:
- Levo-te agora!

em meio a minha agonia, ele fatia-me em êxtase
até que eu não mais respire, mesmo em sonhos

algumas noites a morte me faz dela...

terça-feira, 8 de junho de 2010

O Último Enredo De Chico Chapéu



Cerrou
os olhos ontem depois de uma roda de samba , o poeta
chiquinho, conhecido pela alcunha de chico chapéu.
o bamba do samba da vela era cobra criada porreta,
jovem ainda vistoso, maciço de poesia, um bom menestrel.
Chico
tinha aquele andar de onça mansa suçuarana,
um gingado dançante de asas moles, mas um porte bacana.
ainda ontem o tinha visto num barzinho, na esquina do molejo
disse olá para ele e toma-mos uma branquinha com torresmo.
No
morro da malagueta, hoje a dor é mais ardida e voraz
no meio da multidão, por entre acenos e lenços brancos,
escorregava o féretro do poeta Francisco da Silva Ferraz.
Foi-se
o Chico com seu chapéu e sua sombra incandescente,
iluminado. O nosso faquir africano sambou, brincou e foi brinquedo.
ao repique da bateria, o morro cantou seu último samba enredo

Cris'ança



sapeca era
a cara da traqui
nagem com tranças
ao vento
que
brando louças

rasgando cortinas
arrepi
ando
a lã
do gato

embo
lando
o cão no chão

narcisos corações de espelhos




...
projetam labirintos
de planos
em narcisos corações
de espelhos
enxergam-se um
nos olhos do outro

em vão vazios
destilam suas mágoas
ensopadas de egos
tecem suas teias
nas intrigas dos bares
a vida segue torta...

sábado, 29 de maio de 2010

FIM DE FESTA



Imperceptível no meio da multidão
ando descartável feito coisa.

No fluxo dos comuns sou mais um
nesse momento as cicatrizes
do misantropo que sou me doí
na memória das palavras.

São caminhos sufocantes de andar
contém o banal a mesma estrada...

cravado farpado na dor
esses dias tão repetidos
me agarram pelos cabelos
encharcando-me na mesmice

a mim, resta-me as doses
maciças que ainda tenho
de bocetas na praça do bom fim.

A Esperança



Tão longa é a espera
da nova moça balzaquiana
que zombeteiro
primeiro chega
o sol na fresta
do seu destino

ortóptera saltadora
a esperança daquela moça
gotejava sol a pino