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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Reveillon

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Comia os restos
de um ano velho.
Enquanto pipocava
o novo,
a esperança nascia
entalada na garganta...


Memórias

Hoje me falta o natal
com as tintas da infância
para pincelar os meus sonhos

meu desejo era pendurado
numa arvore para compor a fantasia
iluminado pelas estrelas
amanhecia concreto para minha alegria

porque natal
era tão simples e colorido
naqueles dias...



domingo, 6 de dezembro de 2009

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Romaria

os miséraveis da fé
nesse caminho de urtiga
cravam esperança no peito
dando ao gesso frio da estátua
vida...

são palavras debulhadas
no bafo da oração
como leite na pedra
escorre a procissão

nossa senhora
a mãe das dores
escuta as súplicas
do seu andor

domingo, 25 de outubro de 2009

Pound, O Homem da Máscara de Ferro






nem mesmo vivendo como um símio
numa cela de metal sobre as ruínas
do aço ao farpado do arame
a mente daquele homem
esteve confinada.

da saga dos doze anos ao manicômio
do ovo metálico ao universo dos cânticos
alçou vôo ao sol

como infinito era o caminho de rugas
na face daquela máscara
infinita era até o final a sua deidade


nos fragmentos do velho poeta
asas sobrevoam até hoje
a ilha de San Michele
renovando dia a dia o sol dos condenados





sexta-feira, 23 de outubro de 2009

24 de Junho

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naquela noite ele apostou
na sorte
acreditou que a bomba
dormia


um flash como fotografia
o estampido grito de horror
a mão decepada
cai fofa no esterco


o mutilado sangra
pelo vazio do braço
tingindo de vermelho o vento

esfacelado a dor estanca
da agonia com a fé no santo


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Diário de um Náufrago


O mar visto da pedra onde estou
transborda pelas manhãs
de peixes e pássaros

não eram minhas as mensagens
que recebia em garrafas na praia
mas com o tempo foram sendo...
fiz verdades em garrafas de outros.

Eu, que nunca tive um Deus,
com quase meio século
descubro ser o meu Deus
o mar.
Temperamental e traiçoeiro

às vezes manso como um cordeiro
dissolve-se em sal no azul do céu
enquanto gaivotas, voam penas
feito folhas.


Ateei fogo ao passado
para dormir em travesseiros de cinzas
e da ilha dos sonhos
nunca mais voltar

Engolido pelo pôr do sol