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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

F A T A L

no céu da boca

louca
para envenenar

teu beijo de aranha
pica

e lança a teia

Quarta-Feira de Cinzas

" É de fazer chorar
quando o dia amanhece
e obriga
o frevo acabar
oh Quarta-feira ingrata
chega tão depressa
só pra contrariar" (....) Luiz Bandeira

.

.

ao pôr do sol
ainda com carnaval nos olhos
vou vomitando minhas lembranças

dependuro minha fantasia
na encruzilhada
despacho meus fantasmas

sob o céu azul
ficam pedaços de mim
em azulejos

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

De Perder a Cabeça

como a lua
ela cada vez aparece
com uma face diferente

e eu
feito prego enferrujado...

nem Santo Antonio com um gancho
me tira de sua janela!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Respondendo a Neruda II

O que diz a velha cinza
quando caminha junto ao fogo?


È de sua juventude
que aqueço minhas memórias


Por que choram tanto as nuvens
e cada vez são mais alegres?


Por voarem abaixo do feliz
azul do céu


Onde encontrar um sino
que soe dentro dos teus sonhos?


Na torre
da esperança


Quando o preso pensa na luz
é a mesma que te ilumina?


A luz da liberdade
é a mesma para todos


Por que o chapéu da noite
voa com tantos furos


Os astros e estrelas
não deixam que ela fique sem luz


Porque é tão dura a doçura
do coração da cereja?


Para que não seja destruída
sua semente


Por que detesto as cidades
que cheiram a mulher e urina?


Pelo arrependimento
do passado


Onde está o menino que fui
segue dentro de mim ou se foi?


Há sempre na memória
o perfume da infância


Por que vou rondando sem rodas
e voando sem asas nem plumas?


O trasporte
são teus sonhos


Que aprendeu a árvore da terra
para conversar com o céu/


Que homens são mais perigosos
que cupins

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Respondendo a Neruda

Por que os imensos aviões
não passeiam com seus filhos?


Por viverem
ocupadíssimos com o vento.

Qual o pássaro amarelo
que enche o ninho de limões?


A pipa de jacaré,
nas férias

Por que não ensinam a tirar
mel do sol aos helicópteros?


os helicópteros
resfriariam o sol

Onde deixou a lua cheia
seu noturno saco de farinha?


Na esquina
de uma sexta feira

Se matei e não me dei conta
a quem perguntar a hora?


A uma sen'hora
marcada para matar

De onde tira tantas folhas
a primavera da frança?


Do livro da natureza
da Revolução Francesa

Onde pode viver um cego
a quem persegue as abelhas?


No eco das cavernas
dos morcegos

Se terminar o amarelo
com que faremos o pão?


Com o fermento
da esperança

Quantas igrejas tem o céu?

1% das trilhões
que habitam o inferno

Por que se suicidam as folhas
quando se sentem amarelas?


Para não morrerem
podres

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

As Cores do Silencio


"Não haverá borboletas se a vida não passar
por longas e silenciosas metamorfoses. Rubem Alves

"
.





Que vivam sempre em mim

as borboletas
que revoluteam
nos campos abertos
e que no rufar das asas
deslizem surfando no ar
misturando as cores na brisa

Que vivam sempre em mim

as borboletas
que ao som dos movimentos
dancem a musica das cores
mastigando as horas
passadas nos perfumes das flores

Que vivam sempre em mim
as cores do silêncio dessa metamorfose

domingo, 24 de janeiro de 2010

Veneno Implacável

a inveja é a última tinta
do tumor nas vísceras enraizadas
da aldeia

não há safra num solo doente
onde se plantou a semente
todos os dias no pão a inveja é recheio
e miolo

para o fogo da pedra do altar
as labaredas de mil bestas famintas
levam de mãos dadas

a inveja deixa os homens sem iluminação
para o caminho

com a alma insegura feito luz de velas ao vento
a subida fica espinhosa
não há paz de penhasco
feras e serpentes tocaiam
no vento dos seus calcanhares...